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O Meu Primeiro Campeonato


“Não deixe que o medo de perder seja maior que a vontade de ganhar!” 

Eu postei essa frase há uns dias atrás nas minhas redes sociais e ela me fez lembrar uma história que aconteceu comigo. 

Eu gostaria de compartilhar com vocês essa história, vamos lá. 

Desde criança, eu sempre fui muito tímido, eu praticamente não conversava com as pessoas que não faziam parte do meu convívio social. 

Até hoje, as pessoas que não me conhecem muito bem acham que eu sou muito sério. 

Hoje, eu sei que essa timidez que eu tinha era uma mistura de medo e insegurança. 

E isso me atrapalhou muito durante a minha adolescência. 

Eu me lembro que em 1999 eu participei pela primeira vez de um campeonato de Kung Fu. 

Foi um campeonato interno realizado dentro da própria academia. 

Eu já tinha doze anos nessa época e, na minha categoria, haviam mais três crianças disputando comigo. 

Dos quatro, eu era o mais velho de idade e o mais avançado, o mais graduado. 

Eu, com todo o meu medo e a minha insegurança, escolhi o Kati mais simples, o mais básico de todos para demonstrar no campeonato. 

Para quem não sabe, o Kati é uma sequência de golpes que executamos no ar simulando uma luta imaginária. 

Em uma competição, cada atleta faz a demonstração do seu Kati e recebe uma nota dos juízes, quem tiver a maior nota é o campeão. 

Esse campeonato foi realizado dentro da própria academia, ou seja, tinham pouquíssimas pessoas assistindo. 

E, quando chegou a minha vez de demonstrar, a timidez falou mais alto, eu não errei o meu Kati, mas foi uma demonstração muito sem graça, sem sal, sem vontade, totalmente apático. 

Surpreendentemente, eu consegui empatar com outra criança em terceiro lugar, mas, como não podia haver dois terceiros colocados, nós dois tivemos que apresentar novamente os nossos Katis. 

Novamente, eu não consegui escapar do medo e da insegurança. 

Perdi o desempate, fiquei em quarto lugar, ou seja, fiquei em último no meu primeiro campeonato. 

Lógico que eu fiquei abatido e pensativo nos dias seguintes, eu sabia que não tinha feito o melhor que eu poderia fazer. 

Porém, o meu medo de perder foi muito maior que a minha vontade de ganhar. 

No ano seguinte, eu tive a oportunidade de participar novamente de um campeonato e eu sabia que teria que vencer o meu medo e a minha insegurança para fazer o meu melhor. 

Só que, dessa vez, não era um campeonato interno, era um campeonato regional, em um ginásio, com centenas de pessoas assistindo e dezenas de escolas de Kung Fu participando. 

E, para esta competição, eu não escolhi um Kati simples, eu escolhi um bem mais complexo, eu me desafiei, eu não estava lá para competir com os outros. 

Eu estava lá para competir comigo mesmo, eu queria me vencer, eu queria me superar. 

Respirei fundo, entrei no ginásio, fiz a minha demonstração e sai muito feliz comigo mesmo porque, desta vez, eu consegui fazer o meu melhor! 

Empatei com o primeiro colocado, mas fiquei em segundo por causa dos critérios de desempate. 

Independente da minha colocação, a sensação de desafiar e vencer os meus medos e inseguranças não tem preço. 

E, quanto mais eu me desafiava, mais eu crescia e evoluía dentro e fora do tatame, ou seja, eu aprendi a me superar em todos os aspectos da vida. 

A autoestima e a autoconfiança andavam comigo na escola, em casa, na academia e em todos os lugares. 

Essa é uma das lições que o Kung Fu me ensinou e que mudou a minha vida para melhor. 

O menino tímido que não conseguia fazer uma simples demonstração em 1999 começou a ministrar aulas para mais de vinte alunos em 2004. 

Eu me destravei e aprendi que a vontade de evoluir, a vontade de ganhar sempre tem que ser maior que o medo de perder e a preguiça de começar. 

Eu não teria conquistado nada do que eu tenho hoje se lá atrás eu não tivesse me desafiado, se eu não tivesse a vontade de ganhar de mim mesmo. 

E eu vou fazer de tudo para o Érik de amanhã ser melhor do que o Érik de hoje, pois a evolução e a prosperidade não têm limites! 

E você? 

Quando vai deixar a vontade de ganhar assumir o controle? 

Qual é o seu medo que lhe impede de evoluir? 

Conta-me aqui nos comentários, talvez eu consiga lhe ajudar de alguma forma.

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