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A História dos 8 Katis do Choy Lay Fut


Acredito que você já saiba que o estilo de Kung Fu chamado Choy Lay Fut foi criado pelo mestre Chan Heung em 1836 em sua terra natal, Xinhui, no sul da China. 

Então, neste artigo não entrarei no mérito de narrar a história de Chan Heung e nem como o Choy Lay Fut evoluiu e se expandiu daquela época para os dias atuais. 

Focarei em um fato histórico em particular que está relacionado a alguns dos principais katis ensinados naquela época. 

Lembrando que o assunto deste artigo foi um dos mais pedidos pelos leitores do blog e, em breve, postarei artigos sobre os outros assuntos solicitados por vocês na nossa última enquete. 

Voltando ao assunto... 

Nas décadas seguintes à criação do Choy Lay Fut, a China, governada pela Dinastia Qing, enfrentou diversas guerras e conflitos internos. 

Vários grupos rebeldes lutaram contra os exércitos do imperador e muitos mestres de Kung Fu faziam parte destes grupos rebeldes. 

A Dinastia Qing por décadas perseguiu e assassinou diversos mestres e praticantes de Kung Fu tradicional, pois acreditavam que os rebeldes eram treinados por tais mestres. 

E sim, os mestres treinaram muitos grupos rebeldes com a intenção de derrubar os governantes da época. 

Acredita-se que Chan Heung também fez parte de alguns grupos secretos contra a Dinastia Qing, logo, treinou diversos rebeldes. 

Ele também espalhou os seus primeiros discípulos pelo sul da China, em 1848 aproximadamente, para que estes abrissem novas escolas de Choy Lay Fut e pudessem treinar novos grupos rebeldes. 

O Choy Lay Fut era considerado na época, e é até hoje, um dos estilos mais efetivos em combate corpo a corpo. 

Chan Heung mesclou as técnicas mais efetivas em batalhas que ele aprendeu com seus antigos mestres para criar o seu próprio estilo. 

Ou seja, o Choy Lay Fut foi criado para a guerra e evoluiu tecnicamente dentro de grandes batalhas, rebeliões e conflitos ocorridos no sul da China. 

Segundo os relatos, Chan Heung teria participado da Rebelião de Taiping que ocorreu entre 1850 e 1864, assim como, também há relatos da participação dos praticantes de Choy Lay Fut na Segunda Guerra do Ópio que ocorreu entre 1856 e 1860. 

Nestes dois conflitos, Chan Heung e seus discípulos participaram, juntamente com as tropas rebeldes, das batalhas contra os soldados da Dinastia Qing. 

As batalhas da Rebelião de Taiping começaram em Dezembro de 1850, mas alguns anos antes uma sociedade secreta foi formada com a intenção de reunir pessoas para lutar contra a dinastia da época. 

Essa sociedade era conhecida como “Os Adoradores de Deus” que, em 1851, ficou conhecida oficialmente pelo nome “Reino Celestial de Taiping” ou “Reino Celestial da Paz Suprema”. 

Em apoio aos rebeldes, Chan Heung criou a seguinte frase: “Vida longa ao Reino Celestial da Paz Suprema”. 

Esta frase era formada por oito ideogramas: 太平天國長安萬年 - “Tai Ping Tian Guo Chang An Wan Nian”. 

Segundo os relatos transmitidos oralmente de mestre para aluno durante todos esses anos, Chan Heung teria criado um kati para cada ideograma citado acima. 

A intenção de Chan Heung era passar uma mensagem subliminar ao ensinar tais técnicas aos seus discípulos e soldados rebeldes. 

Ou seja, ao mesmo tempo em que ele ensinava e difundia o Choy Lay Fut, ele também instigava seus alunos a participarem da rebelião contra a Dinastia Qing, pois todos deveriam seguir o “Reino Celestial de Taiping”. (Hipótese 1) 

Ou será que Chan Heung adotou o slogan citado acima para aproveitar a oportunidade de ensinar e difundir o Choy Lay Fut, conseguir testar a eficiência das suas técnicas em campo de batalha e, ao mesmo tempo, lutar e enfraquecer o máximo possível o governo da Dinastia Qing? (Hipótese 2) 

Por diversos motivos que não são pertinentes a este artigo (posso detalhar esse assunto numa próxima postagem caso vocês tenham interesse), acredito que a segunda hipótese é a mais provável. 

Porém, acho que nunca saberemos o que realmente aconteceu e quais eram as verdadeiras intenções dos principais personagens envolvidos nestes fatos históricos. 

Só para deixar claro, a intenção deste artigo não é descrever todos os acontecimentos da Rebelião de Taiping e muito menos os da Segunda Guerra do Ópio, mas foi necessário fazer esse breve resumo para contextualizar a história de alguns dos katis do Choy Lay Fut. 

Enfim, vamos aos katis!



太 = “Tai” 

Este ideograma deu origem ao kati “Tai Jo Kuen” (Forma do Punho do Ancestral Supremo). 

Este kati era uma homenagem ao primeiro imperador da Dinastia Ming, Zhu Yuan Zhang. 

Muitas pessoas daquela época torciam pelo retorno da Dinastia Ming que foi comandada pelo principal grupo étnico da China, os Hans. 

Houve muita prosperidade para o povo e governantes durante a Dinastia Ming, o que não aconteceu na dinastia seguinte, a Qing, comandada pelos Manchus. 

Para evitar problemas com os governantes Qing, o próprio Chan Heung teria mudado o nome do kati para “Tai Hui Kuen” (Forma do Punho do Vazio Supremo). 

Com este kati, os lutadores aprendiam a trabalhar a energia interna, transformando-a em energia externa, ou seja, treinavam o controle do corpo através dos conceitos de Yin e Yang. 

Alguns anos depois, surgiu um novo estilo de Kung Fu, do norte da China, também chamado “Tai Hui Kuen” e, para evitar qualquer comparação, a linhagem Chan mudou o nome do kati para “Mo Gik Kuen” (Forma do Punho Sem Limites). 


平 = “Ping” 

O ideograma que significa literalmente plano, ou nível, possui o sentido figurado de pacificar. 

A intenção de Chan Heung era deixar a Dinastia Qing plana, ou seja, pacificar os Qing para o retorno vitorioso dos Ming. 

O nome do kati criado com este propósito era “Ping Moon Kuen” (Forma do Punho do Portal Plano). 

Com o passar do tempo, o nome deste kati foi abreviado para “Ping Kuen” (Forma do Punho Plano) e o verdadeiro nome caiu no esquecimento. 


天 = “Tian” ou “Tin” em cantonês 

“Tin Dei Sup Fang Kuen” (Forma do Punho das Dez Direções do Céu e da Terra) foi o kati criado a partir no ideograma “Tin”. 

Este kati também sofreu uma abreviação no seu nome com o passar dos anos e passou a ser conhecido como “Tin Dei Kuen” (Forma do Punho do Céu e da Terra). 

Mas, para não ser associado à sociedade secreta chamada “Céu e Terra”, o nome deste kati foi totalmente alterado. 

Passou, então, a se chamar “Sup Gi Kau Da Kuen” (Forma do Punho que Esmaga em Cruz). 

Em algumas famílias de Choy Lay Fut, este mesmo kati também é conhecido como “Sup Gi Kuen” (Forma do Punho em Cruz). 

Com o tempo, surgiu uma nova versão deste kati, que é chamado de “Siu Sup Gi Kuen” (Pequena Forma do Punho em Cruz), logo, algumas famílias adotaram um novo nome para o kati original, “Dai Sup Gi Kuen” (Grande Forma do Punho em Cruz). 


國 = “Guo” ou “Gwok” em cantonês 

Muito se fala, hoje em dia, da “flor de ameixa”. 

Muitos estilos de Kung Fu, principalmente os do sul da China, possuem referência à flor de ameixa e ao Choy Lay Fut se inclui neste grupo. 

Porém, por diversas dinastias, os chineses, os governantes e imperadores consideravam a peônia como flor oficial da China. 

E, até hoje, a população chinesa tem muita consideração por esta flor, apesar de não existir uma flor que represente o país oficialmente. 

Mas, durante a Dinastia Qing, os rebeldes e as sociedades secretas adotaram a flor de ameixa como símbolo nacional, como símbolo da nova China que eles pretendiam restabelecer. 

Isso significava que aqueles que lutavam contra a Dinastia Qing tinham que ter força, persistência, obstinação, resiliência, perseverança, superação, assim como a flor de ameixa que floresce no inverno resistindo e enfrentando a neve. 

E com o espírito da flor de ameixa surgiu o kati “Gwok Fa Kuen” (Forma do Punho da Flor Nacional). 

Para que não houvesse confusão entre as flores, pois a flor indicava de que lado você estava em uma batalha, o nome do kati foi alterado para “Mui Fa Kuen” (Forma do Punho da Flor de Ameixa). 

Com o passar do tempo, surgiu uma nova versão deste kati, o “Siu Mui Fa Kuen” (Pequena Forma do Punho da Flor de Ameixa), e o nome do kati original foi alterado para “Dai Mui Fa Kuen” (Grande Forma do Punho da Flor de Ameixa). 

Algumas famílias de Choy Lay Fut também usam o nome “Mui Fa Bot Gwa Kuen” (Forma do Punho do Baguá da Flor de Ameixa) para se referirem ao “Dai Mui Fa Kuen”. 


長 = “Chang” ou “Cheong” em cantonês 

Esse ideograma deu origem ao kati “Cheong Gong Dai Long Kuen” (Forma do Punho das Grandes Ondas do Yangtze). 

Os ideogramas “Cheong Gong” significam rio longo e simbolizam o Yangtze que é o maior rio da China e da Ásia. 

“No rio Yangtze, a onda de trás empurra a da frente” - esse ditado significa que as gerações devem suceder-se no fluir da história. 

E é com essa ambição que muitos chineses enfrentaram a Dinastia Qing no decorrer dos anos. 

Foi pensando desta forma que Chan Heung criou o kati citado acima, que também é conhecido pelo nome, abreviado, “Cheong Kuen” (Forma do Punho Longo). 

Para não ser confundido com o estilo do norte chamado “Taizu Chang Quan”, ou “Chang Quan”, pois a pronuncia é praticamente igual, o nome do kati foi alterado para “Tuet Jin Kuen” (Forma do Punho da Flecha de Ferro). 

Há quem use o nome “Tuet Jin Cheong Kuen” (Forma do Punho Longo da Flecha de Ferro) para não desassociar o nome usado hoje em dia com o nome original do kati. 


安 = “An” ou “On” em cantonês 

A intenção de Chan Heung não era apenas derrotar a Dinastia Qing, mas, também, que os chineses pudessem instaurar e estabilizar uma nova China. 

Pensando nisso, ele criou o kati “On Bang Kuen” (Forma do Punho que Protege a Nação) para que a própria população, pelo menos os praticantes de Choy Lay Fut, pudesse manter a paz e a ordem. 

Com o passar do tempo, o nome do kati foi alterado para “Hung Yen Kuen” (Forma do Punho do Povo Hung). 

“Hung” era um termo muito utilizado pelas escolas de Choy Lay Fut, pelas sociedades secretas e pelos rebeldes, logo, muitas pessoas se denominavam “Hung”, indicando que eram contra a Dinastia Qing. 

“Mais forte”, “ganso”, “herói”, a pronuncia (“Hung”) é a mesma para todas essas palavras, porém o ideograma para cada uma é diferente. 

(O fato dos antigos mestres se importarem mais com a pronúncia do que com o significado dos ideogramas, torna as traduções de técnicas bem mais difíceis de serem concluídas.) 

Para evitar comparações com as sociedades secretas o ideograma “Hung” foi alterado de “mais forte” para “herói”, porém o nome do kati se manteve o mesmo “Hung Yen Kuen” (Forma do Punho do Povo Hung). 

Este mesmo kati também é conhecido por algumas famílias de Choy Lay Fut pelo nome “Hung Yen Bot Gwa Kuen” (Forma do Punho do Baguá do Povo Hung). 


萬 = “Wan” ou “Man” em cantonês 

Este ideograma deu origem ao kati “Man Jeong Kuen” (Forma do Punho das Dez Mil Formas). 

Há quem conheça este kati pelo nome “Man Jee Kuen” ou por “Man Zi Kuen”. 

O termo “Man Jeong” (Dez Mil Formas) está relacionado, além da sua tradução literal, à renovação. 

Muitos que lutavam contra a dinastia buscavam essa renovação, um novo país e uma vida melhor. 

Outro significado para “Man Jeong” é “Dez mil elefantes”, logo, algumas famílias de Choy Lay Fut traduziram o nome do kati como “Forma do Punho dos Dez Mil Elefantes”. 

Para evitar essa tradução literal que foge do significado real idealizado por Chan Heung, a linhagem Chan alterou o nome do kati para “Bot Gwa Kuen” (Forma do Punho do Baguá). 

A filosofia do Baguá está diretamente relacionada aos elementos, universo, renovação, transformação, logo, o uso do termo “Baguá” (Bot Gwa) retoma o mesmo sentido do termo “Man Jeong”. 

Com o tempo, uma nova versão do kati foi criada, o “Siu Bot Gwa Kuen” (Pequena Forma do Punho do Baguá), fazendo que o nome original fosse alterado para “Daí Bot Gwa Kuen” (Grande Forma do Punho do Baguá). 


年 = “Nian” ou “Nin” em cantonês 

Este ideograma deu origem a mais um kati que expressava a esperança de vitória na batalha contra a dinastia. 

Chan Heung criou o kati “Nin Zhang Kuen” (Forma do Punho do Idoso), também conhecido como “Nin Jee Kuen”, com a esperança que as pessoas pudessem viver com longevidade e desfrutassem pacificamente de um novo país. 

Dentro da cultura oriental de forma geral, os idosos são sinônimos de sabedoria e respeito, pois acumularam uma vasta experiência no decorrer da vida. 

Essa cultura milenar de respeito aos mais velhos também é representada por Chan Heung em seu kati. 

Braços e pernas fortes para destruir, sabedoria e experiência para reconstruir e criar um novo país, com paz e prosperidade para que todos possam chegar à longevidade. 

Quanto mais velho, mais cabelos brancos, logo, alguns anos depois, o kati foi renomeado e passou a ser conhecido como “Bak Mo Kuen” (Forma do Punho dos Cabelos Brancos). 

Chegamos ao fim da história dos 8 katis do Choy Lay Fut. 

Acredito que você saiba que existem centenas de outros katis diferentes dentro do Choy Lay Fut. 

Todos os katis citados acima são formas de mãos livres e ficaram conhecidos justamente pelo fato de serem facilmente difundidos durante a Rebelião de Taiping. 

Não há como saber se estes katis já existiam antes dessa rebelião ou se foram realmente criados para as batalhas entre os rebeldes e a dinastia. 

Muitos relatos sobre os katis do Choy Lay Fut não possuem uma data especifica de quando eles foram criados. 

Mas, sabemos que já existiam outros katis além dos que foram citados neste artigo na época dessas inúmeras batalhas e guerras. 

Da mesma forma que esses oito katis sofreram alterações de nomes, acredito que também sofreram alterações técnicas. 

Logo, é muito provável que os katis criados por Chan Heung tenham evoluído com o tempo, sendo pouco parecidos ou, até mesmo, nada parecidos com os katis que treinamos hoje em dia. 

Há também a hipótese dos katis originais e as suas novas versões terem sobrevivido até os dias atuais, logo, existe a possibilidade de praticarmos hoje duas versões diferentes do mesmo kati. 

Independente do que tenha acontecido com o passar do tempo, tenho certeza que os princípios, os fundamentos, a essência do Choy Lay Fut é a mesma até hoje. 

Dominar esses fundamentos e entender o que você realmente está fazendo é muito mais importante que decorar inúmeros katis. 

Não adianta você aprender trezentos katis e não saber usar nenhum movimento para se defender. 

O Choy Lay Fut ficou rapidamente conhecido pela sua eficiência e pelo sucesso dos seus lutadores em confrontos contra um ou vários oponentes. 

Então, não quebre esse legado, estude, pratique e entenda o que você está treinando. 

Não quero dizer que você precisa lutar em campeonatos ou sair brigando na rua. 

Mas quero que você entenda que um artista marcial precisa ter um arsenal de golpes para usar quando precisar defender a vida. 

Seja a sua própria vida ou a de alguém próximo.

É melhor ser um lutador disputando um festival de danças, do que um dançarino dentro de um ringue.

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