Wing Chun (Ving Tsun)


Aposto que você já deve ter assistido ao filme “O Grande Mestre” ou pelo menos conhece um pouco sobre o Bruce Lee, correto? Mas, o que ambos têm a ver com o Wing Chun? A resposta é simples! A série de filmes “O Grande Mestre” conta a história de vida de um dos maiores mestres do estilo sulista de Kung Fu conhecido como Wing Chun (ou Ving Tsun dependendo da transliteração), o Grão Mestre Ip Man. O Mestre e ator Bruce Lee foi discípulo direto do Grão Mestre Ip Man. Em busca de mais conhecimento sobre o Kung Fu, conversei brevemente com um especialista no estilo Wing Chun, o Grão Mestre Leo Imamura, líder da Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence. Confira abaixo como foi esse bate papo:

ES Kung Fu – Grão Mestre, já vi diversas pessoas dizendo que o Wing Chun é um estilo simples de combate, voltado à defesa pessoal. O que é o Wing Chun? Como podemos definir realmente este estilo? Quais são as principais características do Wing Chun?
Leo Imamura – Érik, Ving Tsun é um sistema de Kung Fu (no seu sentido mais amplo) que é composto por dispositivos corporais de combate simbólico organizados em seis domínios que envolvem quatro modalidades: mãos livres, aparelhos, bastão e facas. Tem inspiração na Feminilização da Guerra, visto que seus praticantes atribuem a fundação do sistema à Fundadora Yim Ving Tsun. 

ES Kung Fu – Quem criou o estilo Wing Chun? E quando foi?
Leo Imamura – Pode atribuir-se a criação dos dispositivos corporais de combate simbólico que constituem o Sistema Ving Tsun à Monja Ng Mui, mestra da Fundadora Yim Ving Tsun. Ng Mui tornou-se um dos 5 herdeiros da tradição Siu Lam (Shaolin) após o incêndio do monastério do sul. 

ES Kung Fu – Sabemos que o senhor segue a linhagem Moy Yat de Wing Chun. Existem outras linhagens, outras famílias deste estilo?
Leo Imamura – O processo de descendência é iniciado pela família, que posteriormente se torna um clã, depois um grande clã. Observe que não é apenas a extensão, mas também a quantidade de seguidores e a contribuição para a salvaguarda do Sistema Ving Tsun que determinam a importância e até a justificativa de existência de uma determinada linhagem. A rigor, todos os praticantes legítimos descendem de uma única linhagem: a de Yim Ving Tsun. A linhagem depende do reconhecimento de uma geração pela geração anterior. Cada geração, conforme a importância estabelecida poderá estabelecer uma linhagem desde que os elementos citados estejam devidamente constituídos. Portanto, há muitas linhagens com diferentes graus de importância. Quanto às famílias, há muitas mais, visto que qualquer pessoa pode estabelecer uma "família", desde que haja seguidores. No sentido tradicional, há vários fatores a serem considerados. Talvez numa outra ocasião poderemos falar a respeito. 

ES Kung Fu – Através da série de filmes “O Grande Mestre”, podemos ver que o Wing Chun utiliza algumas armas tradicionais do Kung Fu. Assim como, também faz grande uso do boneco de madeira. Quais armas tradicionais chinesas podemos encontrar no Wing Chun? E, qual a importância do treino com o boneco de madeira?
Leo Imamura – No Sistema Ving Tsun há duas modalidades de armas: o Gwan Faat, que envolve um bastão longo de quase 3 metros, chamado de Luk Dim Bun Gwan e o Do Faat, que envolve um par de facas gêmeas, chamado de Baat Jaam Do. O Sistema Ving Tsun também inclui uma outra modalidade que envolve aparelhos: o Jong Faat que é composto pelo Muk Yan Jong e pelo Geuk Jong. O Muk Yan Jong, a quem você se refere como boneco de madeira, é um aparelho para o refinamento do Kung Fu do praticante de Ving Tsun. É um equipamento que necessita de um grande entendimento do sistema para o seu bom uso. Sua importância está em oferecer condições para um altíssimo nível de refinamento da habilidade marcial de um discípulo. Ao contrário do que muitos acreditam, é importante ver o Muk Yan Jong como um aparelho que não te ensinará nada de novo ou tampouco apresentará alguma técnica miraculosa. 

ES Kung Fu – Antigamente, era incomum escutarmos alguém falando sobre o estilo Wing Chun. Qual a importância do Mestre Bruce Lee e da série de filmes “O Grande Mestre” para a visibilidade e expansão do estilo?
Leo Imamura – Meu tio kung fu Bruce Lee teve grande importância na popularização do Ving Tsun na década de 1970. Eu mesmo fui muito influenciado por ele no meu início de jornada como praticante de Ving Tsun. O filme Ip Man deu uma importante revitalização nesta popularização antes da primeira década do Século XXI. Foram dois fenômenos culturais muito importantes. 

ES Kung Fu – Atualmente, vejo pelas redes sociais, várias pessoas praticando e divulgando o Wing Chun. Como o senhor enxerga o estilo dentro do Brasil?
Leo Imamura – Precisamos elevar a qualidade desta prática e divulgação. A popularização só será importante se propiciar que surjam praticantes e mestres sérios. Quero me colocar a disposição de todos neste propósito. Eu mesmo tenho muito que aprender com relação às redes sociais e outras mídias mais modernas. Se nos unirmos todos poderemos crescer. Quero deixar claro que quero fazer minha parte neste movimento de união tão necessário. 

ES Kung Fu – Acho muito legal e importante a forma como os praticantes de Wing Chun se referem aos seus ancestrais e mestres. Sempre utilizando as formas tradicionais, como por exemplo, Si Gung, Si Fu, Si Baak, etc. Qual a importância de mantermos a tradição e o respeito não só no Wing Chun, mas em qualquer estilo de Kung Fu?
Leo Imamura – A importância de compreender que somos uma grande família e que nossa existência é fruto do esforço de nossos ancestrais, pessoas como eu e você que dedicaram suas vidas para a evolução de um legado, a fim de que esta herança cultural pudesse ser alcançada pelas gerações futuras. A gratidão à memória destes mestres ancestrais permite com que possamos estar conectados a esta sabedoria ancestral, independentemente de sermos chineses ou não. 

ES Kung Fu – Grão Mestre, quando e como o senhor começou a praticar o estilo Wing Chun? Quem foi o seu Mestre?
Leo Imamura – Comecei a praticar Ving Tsun 8 anos depois de iniciar minha jornada nas artes marciais. Meu primeiro mestre foi o saudoso Grão-Mestre Li Hon Ki, pessoa que muito me ajudou a ir para a China pela primeira vez. Seu irmão Albert Lee foi a pessoa que me apresentou ao meu mentor, o Patriarca Moy Yat. Foi com o incentivo e consentimento do meu primeiro mestre que ingressei na Família Moy Yat. Quando conheci meu mentor Moy Yat, eu estava acompanhado do Grão-Mestre Li Wing Kay. Como você pode perceber, eu devo muito à Família Lee (Li). 

ES Kung Fu – Grão Mestre, muito obrigado por me ajudar a melhorar o meu Kung Fu. Para as pessoas que quiserem saber mais e conhecer melhor o seu trabalho, de que forma elas podem entrar em contato?
Leo Imamura – Érik, eu que agradeço a oportunidade de me comunicar com os leitores do seu blog. Como você sabe, o nosso projeto "Kung Fu Life com Leo Imamura" tem muito ajudado a tomar contato com pessoas que querem saber mais sobre o tema. Quem tiver interesse em acompanhar nosso trabalho, lá é a melhor maneira de fazê-lo. Um forte abraço!!! (Clique e confira: Kung Fu Life no Facebook / Kung Fu Life no YouTube / Site Kung Fu Life)

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