Sanda – O Combate do Kung Fu



Sanda (leia-se Sandá) é o combate desportivo do Kung Fu. O Kung Fu em geral possui uma infinidade de golpes para atingir pontos vitais do corpo humano, pois essas técnicas eram utilizadas em combates e guerras. Tais movimentos mortais não podem ser usados em competições ou em treinos, pois teríamos atletas gravemente feridos ao final de cada luta.

O Sanda foi desenvolvido com a intenção de melhorar o desempenho do exército chinês mas, com o passar do tempo, foi adaptado aos estilos de Kung Fu. Há escolas, hoje em dia, que trabalham o Sanda independentemente do Kung Fu, assim como, há também escolas que trabalham os dois, um como complemento do outro. Desde 1990, o Sanda vem se destacando como esporte de competição.

Sistema de Graduação:

Todo artista marcial sonha com a faixa preta mas no Sanda é o contrário, a última graduação é branca! O sistema de graduação do Sanda, pela Confederação Brasileira de Kung Fu Wushu (CBKW), possui nove níveis diferentes. E, ao invés de faixas, são utilizadas estrelas fixadas nos shorts para indicar o nível dos praticantes. Alcançando o sexto nível, estrela dourada, o praticante será considerado Professor 1º Duan em Sanda.

Mesmo havendo uma padronização da graduação pela CBKW, há escolas que seguem o seu próprio sistema de graduação. Há escolas que utilizam faixas amarradas na cintura para graduar seus alunos. Há escolas que utilizam o uniforme, ou detalhes do uniforme, com cores diferentes como graduação. Estas escolas seguem com suas próprias graduações por questão de tradição, por trabalharem assim muito antes da padronização da CBKW. Existem escolas que adaptaram suas graduações para ficarem parecidas com a graduação da confederação.

Regras Básicas:

Também conhecido como Sanshou ou Boxe Chinês, o Sanda, assim como qualquer arte marcial competitiva, possui regras. As lutas acontecem sobre uma plataforma de oitenta centímetros de altura e oito metros quadrados de área. Os lutadores se enfrentam por dois rounds de dois minutos com um minuto de descanso e, caso haja empate, haverá um terceiro round.

Cada atleta utiliza seu próprio equipamento de proteção: capacete, protetor bucal, protetor de tórax, luvas de boxe e coquilha para os homens (protetor genital). Algumas organizações emprestam os equipamentos de proteção, com exeção do protetor bucal e genital, para os atletas em seus eventos. As categorias são divididas em: infanto juvenil (12 a 14 anos), juvenil (15 a 17 anos) e adulto (18 a 40 anos); homens e mulheres; além da divisão por peso.

Muito parecido com o MMA, o Sanda utiliza técnicas de socos, chutes e quedas (ato de jogar o oponente ao chão). Cotoveladas, joelhadas e a luta de solo (Jiu Jitsu) não são permitidas nas competições de Sanda. Quando um dos lutadores é derrubado, a luta para e este se levanta para que a luta continue.

É considerado o vencedor aquele que vencer dois rounds ou aquele que nocautear o oponente. Nas competições, o campeão é definido por eliminatórias, ou seja, o vencedor de cada combate se classifica para a próxima fase até sobrarem dois lutadores que se enfrentarão pelo título de campeão.

Benefícios:

Coordenação, equilíbrio, força, resistência, condicionamento físico, emagrecimento e auto defesa são alguns dos quesitos pelos quais o Sanda está ganhando novos adeptos a cada ano. Se você está interessado, não espere mais! Procure por uma escola de Sanda e aprenda os segredos desta empolgante modalidade.

E, caso você tenha medo de praticar Artes Marciais achando que vai se machucar, fique tranquilo, pois basta você procurar uma escola responsável, confiável e que trabalhe seriamente. Nem todos os lutadores precisam competir! Escolas responsáveis trabalham separadamente os atletas de competição das pessoas que estão apenas praticando uma atividade física.

Pesquisar e escolher uma boa escola é o primeiro passo para aproveitar ao máximo os benefícios do Sanda!

Bate Papo Sobre o Sanda:

Para finalizar, convidei para um rápido bate papo o Diretor Técnico de Sanda da Federação Paulista de Kung Fu, Sifu Adriano Pitoli. Confira abaixo:

ES Kung Fu – O Kung Fu está ficando cada vez mais popular e ganhando mais adeptos. Como está a evolução do Sanda no Brasil?
Sifu Adriano – Está crescendo. Acredito que, com as mídias sociais, a divulgação fica em evidência, com isso, conseguimos fazer pessoas leigas, pessoas que não conhecem essa modalidade, que nunca ouviram falar, começam a conhecer e começam a perceber o quão belo é o nosso esporte.

ES Kung Fu – O Brasil possui vários atletas de alto nível. Quais são as principais dificuldades que eles enfrentam atualmente para conseguirem competir?
Sifu Adriano – Como qualquer esporte no nosso país, amador, sem patrocínio, fica praticamente impossível. Sem patrocínio, sem apoio, apoio zero mesmo, a gente perde vários atletas com potencial e, infelizmente, iremos perder sempre. Uma pena, porque nós temos grandes atletas que pararam, que desistiram, pois fica praticamente inviável, impossível de representar nosso país, e até as nossas cidades sem dinheiro, sem apoio.

ES Kung Fu – Que dicas você daria para os praticantes que desejam ser campeões e integrar a seleção Brasileira de Sanda?
Sifu Adriano – Primeiro, acredito que é mais importante treinar a base do Sanda, os fundamentos, socos, chutes e as projeções e não esquecer a parte física. Se não tiver gás, por mais técnico que você seja, você não consegue desenvolver os princípios básicos do Sanda. Apesar de ser amador, o nosso esporte está em crescente evolução, então, o toque que eu dou é: base, os fundamentos, treinar incansavelmente socos, chutes e projeções.

ES Kung Fu – O que você espera do Sanda Brasileiro no futuro?
Sifu Adriano – Sou sonhador, eu trabalho para que meus alunos lutem de igual para igual contra qualquer atleta do mundo. A gente bateu na trave em 2015 com a medalha de bronze (no campeonato mundial de Sanda). Por uma lesão, a gente não disputou a semifinal. Quase absoluta certeza que a gente ia conseguir uma colocação um pouco melhor, mas Deus sabe o que faz. Mas, eu espero que a gente consiga, com trabalho de base, trabalhar com as nossas crianças. A gente pode ter bons resultados no futuro porque a comissão técnica da seleção está buscando sempre evoluir e eu tenho certeza que em um futuro próximo a gente vai ter atletas representando bem o nosso país. Aí, a gente volta a pergunta anterior, precisamos de apoio, sem apoio não adianta a gente fazer um baita atleta, mas não ter condição de levá-lo para o mundial na China.

ES Kung Fu – Crianças, mulheres, idosos... Qualquer pessoa pode praticar Sanda?
Sifu Adriano – Sim! Lógico! Crianças de 5 a 80 anos. Você mesmo disse (no artigo) os benefícios, então, não tem porque não treinar Sanda.

ES Kung Fu – Sifu Adriano Pitoli, muito obrigado por participar deste bate papo. Para os leitores que desejarem saber mais e conhecer melhor o seu trabalho, onde eles podem lhe encontrar?
Sifu Adriano – Eu que agradeço Érik (ES Kung Fu), parabéns pelo trabalho sobre nossa modalidade. Minha academia é em Lençóis Paulista, faço parte da Associação Garra de Tigre, temos todas as informações no site www.agtkf.org.

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